24.11.09

Manhê, eu tô no Terra TV

Com vocês, minha primeira matéria boliviana. Não é o bicho, mas é um começo.

23.11.09

Personas, versão sulmatogrossense

No Mato Grosso a coisa não foi tão prolixa assim. Também só passei um dia em Corumbá, uma noite pra ser mais exata. Como entre Sampa e a fronteira são belas 22 horas de bus e o trem só saia no outro dia decidi fazer uma para no Corumbá hostel. Acomodação de luxo pra quem tinha passado uma semana em São Paulo entre um quarto fuleiro no centro da cidade com pagode de baixo da janela todas as madrugadas e um quarto de seis camas compartilhado com mais três chilenos que sabiam tudo, menos falar português e ir dormir as quatro da manhã sem acender a luz, bater a porta e rir. Aqui vai uma nota contra o meu esquecimento dos chilenos. Uns amores. Eu tava no beliche de cima e o Léo não podia ver eu mencionar descer que já estendia a mão pra me ajudar. Eles fizeram tanta festa durante o tempo que estavam lá que o pobre Bóris acabou parando no hospital por desidratação...
Mas voltando ao hostel em Corumbá. Além do lugar ser um luxo - piscina e desayuno - estava completamente vazio! Quando a gente passa muito tempo numa cidade em que tem gente saindo pelos postes é estranho estar numa casa cheia de quartos com camas sem dono. Aproveitei pra dar umas braçadas e redimir um pouco do calor de quase quarenta graus que não tinha amenizado nem com a chuva que fez questão de cair na hora que eu cheguei e bater papo com a dona do lugar, outra coisa querida. Perto dos cinquenta, com o cabelo curto, baixinha, gordinha e com cara de mãezona o negócio dela era novela das sete, que ali passava as oito por causa da diferença de uma hora no fuso e a necessidade de manter esses degenerados do Manuel Carlos longe das criancinhas que ligam a TV antes das nove.

Enquanto charlavamos alegremente chegou o hóspede número dois, um senhor de uns cinqüenta e poucos anos que trabalha no Inep com quem eu divide uma enorme mesa de café da manhã com apenas duas xícaras na manhã seguinte. Ele tinha recém voltados da sua última visita a Amazônia, mais especificamente a Terra do Meio. Longe de fazer parte da saga de Tolkien, é aquela região entre rios extremamente disputada na pontinha do Pará. Te digo uma coisa. Fui sola pra região onde plantam coca e costumavam matar jornalistas aqui na Bolívia, mas não me atreveria a passar por esse pedação da Amazônia sem ao menos um fotógrafo de guarda-espalda. Ele contava que nas duas semanas que passou por lá medindo o desmatamento tiveram apenas dois assassinatos. Dois. Um cabra que mandou matar outro cabra e um marido que matou a mulher. Ambos ficaram sem solução, fim tradicional dos mortos do Faroeste que é bem o que é o norte brasileiro.
Fofocas a parte, ele conferia as imagens dos satélites que controlam o desmatamento na região. Parece que as imagens sozinhas não fornecem a situação real e precisam ser confirmadas em terra. Segundo ele essa história de que o desmatamento no Brasil diminuiu é balela. Ele aumentou e segue aumentando, principalmente no Pará e no Mato Grosso. O senhor disse também que foi por causa disso que a Marina caiu e que ela é um baita embuste. Não só fez vista grossa ao desmatamento como ajudou a desmantelar o sistema que protege a Amazônia. Um exemplo foi a divisão do Ibama e o suposto fortalecimento do Instituto Chico Mendes, que no fim ao invés de melhorar só bagunçou tudo.
Um fotógrafo de natureza que eu conheci em Santa Cruz e que entra nessa lista na parte boliviana confirmou isso e disse ainda que a política do governo tanto dos parques quanto de controle da Amazônia é desastrosa. Manhê, eu quero ir pra Amazônia!
No próximo post, personagens além das fronteiras bolivianas.

22.11.09

Nunca, nunca deixe de acreditar na mágica


Desde que cheguei na Bolívia tenho vontade de escrever sobre a mágica das coincidências que tem me acompanhado. Tem gente que chama de impulsividade suicida, eu de sorte e instinto. Se não fosse por isso, não teria nem saído de Porto Alegre city. Tenho feito as malas ao sabor do vento e pro lado que eu sinto que é certo ir e tem dado bem certo. Quer dizer, estava. Esses dias em La Paz parecia que a mágica havia partido pra outro lado o que me deixou bastante mal-humorada e desanimada.

Esta manhã jo estava em Al Alto, uma cidade grudada em La Paz a merrequentos 4.200 metros de altitude. Procurava uma concentração do MAS que deveria receber o vice-presidente e após ter pego dois ônibus errados devido a informações mal-humoradas e mal passadas - os meus olhos claros tem me atrapalhado muito mais do que ajudado, passo fácil por alemã, americana, qualquer coisa longe da América Latina - caminhava pela calle me sentindo um restinho de gente quando um senhor me olhou e me deu uma rosa. Uma rosa, sabe? No meio do cinza, da poeira alta, dos carros passado, uma rosa vermelha cheirosa. Não quis aceitar, pensei que ele estivesse vendendo. Não estava. Simplesmente largou a rosa comigo, sorriu e seguiu caminhando.

Calma, a rosa não faz parte da mágica. Mas às vezes uma rosa ou um sorriso quando a gente está precisando sabe ser um sinal. No ônibus de volta eu pensava em que matéria poderia fazer, já que a ida a El Alto havia sido fracasso, e lembrei de uma senhora quem eu tinha conversado. Raramente simpática - as mulheres que vendem coisas nas ruas odeiam tanto turistas quanto e talvez principalmente máquinas fotográficas -, ela trabalha todos os dias, da amanhã à noite, vendendo panos na rua e assim sustenta a família. E assim se sustentam milhares de bolivianos. Uma caminhadinha e a gente já percebe isso. As ruas estão carregadas de mulheres em trajes típicos vendendo de tudo um pouco.

Desci do bus em qualquer lugar que fosse La Paz - afinal, "quando a gente não sabe pra onde ir o caminho não importa" - e segui caminhando por uma rua em que eu espera encontrar algum restaurante pra matar o meu desanimo com carboidratos. Estava meditando sobre a enorme quantidade de turistas com turista escrito na testa - pra quem não consegue acompanhar a descrição, imagine uma pessoa com um chapelão, a pele branca um pouco vermelha do sol e uma combinação descombinada de tênis, meias e bermudas-, quando encontrei a tal senhora. Mágica.

Da mesma forma que semana retrasada, quando estava perguntando o endereço do principal jornal de Santa Cruz a recepcionista do hotel buscando desesperada algum lugar por onde começar, acabei encontrando um fotógrado brasileiro, que me apresentou um escritor chileno, que me apresentadou um candidato a deputado boliviano, que me apresentou um dos candidatos a presidente. Da mesma forma que quando estava xingando deus e o mundo pelo taxista ter me dito a direção errada e me levado uma hora adentro do Chaparre, região de tropical onde o que a gente mais vê são bandeiras do MAS e plantas de coca - e por ainda por cima me largar numa beirinha de estrada pra tomar um taxi de volta encontrei um taxista que plantava coca. E que me mostrou a plantação. E por aí vai.

Às vezes são coincidências pequenas - rosas -, às vezes não. Do mesmo jeito que eu estava sentada neste café tentando conectar a internet sem sucesso há uma meia hora atrás. Pedi ajuda a um senhor sentando por perto com um lap top e acabei conseguindo o nome de três professores importantes de uma faculdade daqui pra conversar amanhã e também mais um amigo. Mágica.
Sabe, ela existe. Mesmo quando não acreditamos nela.

21.11.09

As pessoas do caminho

De toda a viagem até agora, o mais especial tem sido as pessoas que conheci pelo caminho. Ainda em São Paulo parei em um hostel bem bacana e em conta pros preços brasilenos. Gastar em bolivianos deixa a gente meio pão dura. Só de pensar que estava gastando 33 reais por noite por um quarto com seis camas meu bolso já morde. Isso são quase 116 bolivianos, o que vale um hotel se não de luxo bem caprichado por aqui!

De qualquer forma, no hotel começou oficialmente a minha coleção de pessoas bacanas pelo caminho. De cara conheci o Rámon, um brasileiro que trabalha no hostel e é fascinado pela Bolívia. Foi ele que me deu o toque de que em Sampa tem bairros tradicionalmente italianos virando tradicionalmente bolivianos. Caso do Brás e do Bexiga. O pessoal vem pra cá trabalhar em fábricas de costura pra ganhar em reais e em prestígio. O trabalho é semi-escravo mas como um real é o equivalente a 3,50 bolivianos, parece que compensa tamanha é a galera que continua vindo pra cá. No trem até Santa Cruz conheci uma menina que estava indo pra casa pela primeira vez em um ano de Brasil. Eles vem pra cá, ficam em uma espécie de gueto, não aprendem português e tudo que fazem é trabalhar pra remeter dinheiro pra casa. Eu sei, seu sei. Puta matéria. Mas não deu tempo de passar por lá pra checar. Quem sabe na volta...

Depois foi a vez do Nate, vocalista de uma banda australiana que tem aquele inglês meeega charmoso e um jeito de Cobain perdido. Parei pra ouvir um pouquinho do Faker e só pude expressar um BAH. Sabe quando um negócio é tão bom que te pega de surpresa? Também, quem é que espera encontrar um cantor super bom pelo caminho nessa mar de covers e música mais ou menos? Já na Bolívia conversei com um guarda-parque australiano e descobri que a banda do Nate é só a segunda mais escutada do país.

Se fizer alguma diferença pra alguém, o Nate é amigo do carinha do Silverchair - pra mim não faz muita, mas pra guria que trabalha na Onu que eu conheci fazia muito o que nos leva a próxima pessoa. A Carol. Como o mundo é um ovo, nós começamos a conversar e eu descobri que - antes dessa revelação favor lembrar que São Paulo tem 11 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul outros 9 milhões e Brasília, onde a moça mora, mais dois, ok? - é uma das melhores amigas do guri com quem divido apartamento em Porto Alegre city. Sim.

- Estudantes da UFRGS me perseguem. Um dos meus melhores amigos se formou lá. Quem sabe tu conheça. É Endrigo...
- Valadão (rosto de perplexidade²)?
- Isso! Conhece?
- Endrigo Valadão (rosto de perplexidade³)? Ahh, sim... Ele só MORA comigo.

Gostei da conclusão da Carol. "Minha mãe sempre me diz 'não faz merda que eu descubro'. Nesses momentos vejo que ela tem razão." Pra aumentar o grau de sabedoria da mãe da Carol, a caminho de Samaipata consegui tomar um táxi não só com um casal de brasileiros, como com um casal de brasileiros de Caxias do Sul! E um casal de brasileiros de Caxias do Sul de 24 anos, ou seja, nos cruzamos pelas festas do circuitos colégios metidinhos da cidade com certeza! E eles não encontravam nenhum tupiniquim a meses, quiça de Caxias!

Ainda no hostel, também conheci um fotógrafo belga que ahh... Pode por aí na lista com os suecos. Pena que não podia ir comigo pra Bolívia. Não que um peruano que estava por lá também não tivesse tentado convencer ele disso. By the way, esse era mais um caso a parte. Me fugiu o nome da figura, mas acho que a combinação peruano da Opus Dei divorciado de uma gaúcha por si só já diz bastante coisa.

Pra não tornar esse post uma Bíblia, vou fechar só com os paulistas com uma menção honrosa para o irlandês que estava no hostel com a mãe atrás de móveis pro filho fruto de uma one night stand que ia ter com uma também peruana que estava morando em sampa no momento.
E claro, a africana e o gaúcho de barba pintada. São pessoas incríveis hour concours, mas é bom deixar registrado.

Próximo post, Mato Grosso do Sul.

A chica, a coca e o Lapo


Estamos eu, o lapo, uma garrafinha de coca yanque e o estômago cheio de salchipapas (uma iguária vendida pelas calles que tem a genialidade de misturar salsicha picada com batata frita e pimenta. Altamente não-recomendada para viajantes - como as comidas vendidas nas ruas bolivianas em geral - mas por isso mesmo tremendamente desejável) prestes a ir onde nenhuma Paula Bianca foi antes. Escrever decentemente sobre a situação boliviana.
Desejem-me sorte. E confiança. Costumava ter galões dela, mas ultimamente não sei onde larguei eles.

P.S. Acabo de receber um mail da Dé dizendo que os pais dela estão preocupados comigo aqui. Agora temos quatro pais preocupado, mais três tias e alguns amigos. Só um bolivianos doido pra me fazer alguma coisa com tanta energia protetiva brasilena atrás de mim.

P.S.S. Eu vi uma plantação de coca, vocês não. Na na na na.

P.S.S.S. Eu queria fazer uma lista só das pessoas que eu conheci. Uma ex-hippie suiça de 60 e poucos anos, um fotógrafo brasileiro que mora numa casa de barro no meio da chapada dos guimarães, um ladrão colombiano que me pagou um almoço... Quer saber, vou fazer. Afinal, só tenho tudo o que vivi na Bolívia até agora pra descrever.

P.S.S.S.S Com todo o etnocentrismo do mundo e excluindo as saudades piegas - descobri que sou uma companhia muito boa e a sensação de estar só e nunca estar sozinha cresce cada vez mais - tudo que eu queria encontrar por aqui era uma padaria. Uminha que fosse. Não que falte pão. Tem por todas as esquinas. Duro e com cara de ontem. Falta pãaaao, sabe? Tá, talvez só os filhos de padeiros me entendam...

By the way, essa foto aí em cima és Bolívia.
"Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

GGM

Bolívia cá estamos

Cheguei na Bolívia no dia 6 de novembro, após um tempinho em Sampa city tentando conseguir financiamento. Corri o país de trem, ônibus e táxi o que são experiências únicas se tratando de Bolívia - para ter uma idéia não só qualquer pessoa pode ter um táxi (só basta um adesivo no painel - o que me lembra, já peguei um táxi com 11 pessoas por aqui) como os ônibus param em qualquer lugar a qualquer momento e estão todos se lixando para coisas como sinaleiras e faixas de pedestres (imaginem o Douglas atravessando a rua, agora imaginem que todos são o Douglas atravessando a rua).
Cheguei há pouco em La Paz que é como estar em outro país dentro do mesmo país. A Bolívia é assim. Vários países dentro de outros países que às vezes nem se quer falam a mesma língua mas que buscam desesperadamente um futuro comum.
Como eu ia dizendo, entre Santa Cruz e La Paz há quase só diferenças. A primeira teve colonização jesuítica, uma relação pacífica com os espanhois e está numa parte quente e tropical do país - além de extremamente rica, diga-se de passagem. A segunda sofreu com a escravidão, a exploração e graças aos seus mais de 3,500 metros de altitude e frio constante pode ser chamada do Tibet da América do Sul.
Enquanto em Santa Cruz as pessoas no geral tem barriguinhas salientes e rostos redondos que lembram a ascendência guarani, em La Paz a maior parte da população é baixa e com as costas largas, fruto da adeptação milenar do corpo dos indígenas locais ao pouco oxigênio. São cambas e collas e essa divisão se reflete não só na forma como falam e se portam, mas na maneira como sentem o país.
E essa diferença de sentimento que move as eleições do dia 6. Exagerando um pouco, não deixa de ser a velha luta dos que nunca tiveram nada contra os que sempre tiveram tudo e cabe ao povo boliviano o papel de fiel da balança.

20.11.09

Antes tarde do que mais tarde


Caminhos bolivianos


23.10.09

Tá tudo assim queimando em mim


Ago/2009 - Terminal rodoviário do Tietê/São Paulo - SP Autoproclamada 2ª maior rodoviária do mundo

Queridos dois leitores

A partir de hoje esse bloguinho entra em recesso temporário (não que ele já não tenha entrado em recesso várias vezes sem aviso). Eu sei, eu sei. Vocês vão sentir a minha falta, vai ser muito difícil conviver sem os posts tri semanais aqui do Palimpsesto, mas é preciso.
Estou com o estômago que é um nó só e um vôo marcado pra daqui a pouco rumo a Bolívia, as eleições e quem sabe ao meu futuro como uma grande correspondente internacional. Assim que eu tiver notícias mais concretas (o que pode ser semana que vem ou em dezembro) aviso. Quero fazer um blog, essas coisas internéticas, mas vai depender da conexão.
Por hora, torçam por mim. Bastante.

Hasta,
Paula

21.10.09

Terminei

Terminei a mono. Ainda falta a introdução, a conclusão, a Laura revisar e eu acertar uma que outra coisinha. Mas a parte pesada, as quase 70 páginas de fundamentação plus análise eu terminei. Zé fini. Deu pra ti trabalho acadêmico.

Agora posso ir pra Pasárgada em paz.

E terminei no mesmo dia que acabei de ler a Carmem do Ruy Castro. Ano passo, quando tive o prazer de entrevistá-lo com duas colegas ele disse que escrever o livro salvou a vida dele, que na época sofria de câncer. Também salvou a minha, ao menos a sanidade mental que quando ameaçava entrar se mantinha longe do vermelho graças as aventuras da pequena notável.

Rumando contra a solitária vanguarda de nós mesmos

Tenho conversado bastante com Ana sobre a dificuldade que é "deixarmos de ser essa solitária vanguarda de nós mesmos" e partir para uma ação coletiva não-utópica de mudança da sociedade. Foi um pouco muito por causa disso que entrei no jornalismo, apesar da Fabico se esforçar em nos tornar seres niilistas, e me dói o vazio de ás vezes não saber nem por onde começar.
Esse ano flertei com o movimento estudantil, de comunicação e diversas outras formas coletivas de organização que me deram esperança e apontaram caminhos. Não caminhos fáceis, muito pelo contrário. Mas esse é um papo que não tenho gás pra explorar aqui, ao menos não enquanto não terminar a joça da mono.
Isso tudo, só pra introduzir esse poema do Thiago de Mello que acordou na minha cabeça essa manhã. Ele me dói tanto e é assim, tão bonito, explicando a parte que esse post prefere deixar pra uma mesa de bar por aí.

Para os que virão


Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

20.10.09

Só lembrando

A conferência livre de comunicaça começa amanhã (hoje pra quem já foi dormir) às 9h na antiga na Casa dos Bancários!

Sou fã. Há tempos



Grande Ale lá dos Estrangeiros. Além da poesia ser linda, o vídeo é finalista da Fliporto. Todo mundo de dedinhos cruzados.

Borá votar!

Macarronada de gala em 15 minutos

Bateu a fome e a vontade de correr da monografia (ou de qualquer outro dever (ahh, um livro pra ler e não fazer...)), mas você não tem nem tempo nem grana para fazer coisas complicas ou jantar fora? Eu tenho a solução! Uma macarronada que enche o estômago com classe e ainda consegue passar a impressão que demorou duas horas para ser feita sem ser um atentado a boa saúde (já falei que ela é "light?").
First, já que tempo é monografia e a fome é uma mãe cruel, coloque a água pra ferver na panela com um cadinho de sal e corra pro mercado.
A lista de compras é simples, e fica mais simples ainda se você for um ser prevenido e mantiver comida em casa:
- 1 pacote/lata de molho de tomate tradicional;
- macarrão de acordo com a fome (aqui em casa só se faz de pacote inteiro, porque se não são os habitues do ap que aparecem pra janta alguém bate na porta. E bem, é macarrão. Quanto mais, melhor);
- 1 colher de requeijão light;
- meia ricota
- óregano e ou pimenta e ou manjericão e ou o que tiver a mão que cozinha universitária é cozinha de guerra (na falta de tudo, já manda o molho temperado);
Volta do mercado e coloca o macarrão na água, que conforme a distância do bolicho já deve estar fervendo. Em outra panela, mistura o molho com o requeijão. Assim que o dito cujo tiver derretido, coloca a ricota esmigalhada (é pegar com a mãozinha e ir descontado toda a raiva da ABNT acumulada até ela virar farelos) e o tempero existente no recinto. Como a ricota é salgada, não precisa de sal.
Pronto! O molho tá no ponto assim que a massa estiver. É só escorrer o macarrão, colocar o molho por cima e ta ta ta. Manja che te fa benne! Não exige prática nem tão pouco habilidade.

* Antes que vocês comecem a achar que eu sou um gênio da cozinha (o que (cof) eu sou), achei essa receita semana passada lá no blog Alimentação sem mitos. Entrou pros favoritos (o blog e o macarrão).

Modernidade II

Já não bastasse minha tia ter entrado no orkut e usar o msn, ela agora também é uma feliz usuária do Facebook. Não vou estranhar se daqui a pouco ela criar um blog e começar a twittar.

Coisas que aprendi com Holywood

Não deixe o medo de errar impedir que você jogue.

19.10.09

Modernidade

– Mãe, vi um doce lá na casa da Dé que parece gostoso. Como que eu faço pra fazer?
– Ah, não sei minha filha. Por que tu não procura na internet?
Tem gente que escreve com se arrotasse pérolas. Até arroz com feijão vira poesia, mas de um jeito bonito que não revira o estômago. Outros de uma forma tão seca e tocante que cada parágrafo é como um murro e você quer continuar apanhando. Eu só queria contar histórias. Ao menos era o que achava.

18.10.09

Experiência científica

Sou o tipo de pessoa que não dorme se tomar chá preto depois das 22h. Cá estou, frente a uma dose de Guaraná cerebral. Será?
Nos vemos pela madrugada.
Despassarada.

17.10.09

"Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte."

Caio F.

16.10.09

Conferência livre do comunicação de Porto Alegre na roda!

Todo cambia

15.10.09

Bem vinda ao resto da sua vida

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

António Machado

Ironia

Tenho que pegar uns dados pra construir uma linha cronológica do massacre em Gaza no começo do ano. A forma mais fácil de conseguir isso é através de matéria de jornais, mas sigo procurando textos de historiadores. Uma vozinha lá no fundo fica lembrando, ' quem pode confiar em jornalistas?'.

14.10.09

Somos todos palestinos


Imagem pintada no "Muro da vergonha", que divide os territórios palestinos de Israel. Com 350 km de extensão planejados- contra 155 km do muro de Berlim - e oito metro de altura em alguns pontos, a barreira, condenada pela Corte Internacional de Justiça e pela ONU, segue em construção.

"A única fonte de otimismo, a meu ver, continua sendo a coragem dos palestinos para resistir. Foi por causa da Intifada e porque os palestinos se recusaram a capitular diante dos israelenses que chegamos à mesa de negociação — e não apesar de tudo isso, como alguns insistem em dizer. O povo palestino vai continuar se opondo aos assentamentos ilegais, ao exército de ocupação, aos esforços políticos para pôr um ponto final em sua aspiração legítima de ter um Estado. A sociedade palestina vai subsistir, apesar de todos os esforços que têm sido feitos para sufocá-la."
Edward Said

Sabedoria pauliana

Monografia não tem querer, tem fazer. É sentar a bunda na cadeira (que a esta altura do campeonato já passou do quadrada) e espremer os miolos até que saia algo que preste. O incrível é que quando a gente menos espera, consegue tecer conexões bem interessantes.
Afora isso, google.books é o que há.
Sigo monografando como se não houvesse amanhã, e, se tudo der certo, semana que vem não haverá mais monografia.

12.10.09

Sabedoria orkutiana

"Tomorrow's life is too late. Live today."

9.10.09

Salve Che


Hasta la victoria siempre!

Desgovernos do sul

A governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, mobiliou a casa com dinheiro do governo. Operação aprovada pelo TCU, segundo ela, o que nos leva a reflexão de Trasël (2009) - só pra não perder o clima monográfico:
"Quando o CPERS protesta em frente, a casa da #Yeda é particular. Quando é para mobiliar, é imóvel funcional."
Ouié.

Ahh, e o impeachment também foi pro saco. Falta só o plenário confirmar a cara dura da comissão. Afinal, o que significam os os 97 mil votos do julgamento popular da Yeda? Foram só 94%,
86.948 pessoas que a consideram culpada. Como lembra o Weissheimer, ao citar o blog da desgovernadora (“O melhor modo de reduzir e evitar a corrupção, é dar eficiência e transparência aos gastos feitos através de dinheiro público). Yeda debocha dos gaúchos.

8.10.09

Não é genial que exista um sistema capaz de codificar pensamentos em caracteres passíves de serem compreendidos por outros seres humanos?

7.10.09

The World Factbook

Continuando com as procuras internéticas monográficas, encontrei o The World Factbook, nada mais nada menos que o Almanaque da CIA. O site tem um resuminho sobre a política, população e afins de, tipo assim, TODOS os países do mundo. Botsuwana? Tá lá. Madagascar? Também. Fora a implicações ideológicas, o site é mega útil nesse mundinho jornalístico, nem que seja pra matar a curiosidade.

6.10.09

"Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?”
Bertold Brecht

2.10.09

Borá manda a Yeda embora!

Só importa se você se importar, saca?

1.10.09

Google scholar

Devo ser uma das últimas pessoas a ter descoberto isso (grande Kauê), anyway. O google/deus/etc. tem um serviço chamado scholar que é muiiito legal. Além de catar artigos web afora, disponibiliza livros in-te-i-ros em pdf! Quase correu uma lágrima agora...

Palestina ocupada

"Movido antes por compaixão que por raiva, um querido amgo refletia certa noite, enquanto conversávamos em sua casa em Hebron, que "a história não perdoará o que foi feito com o povo inocente da Palestina". Já eu não tenho tanta certeza a respeito do que a história efetivamente fará: afinal de contas, tudo depende de quem estiver escrevendo – o conquistador ou o conquistado. Mas nem por um momento tenho dúvidas quanto ao que a história deveria fazer. Certa vez ouvi uma pessoa que muito admiro e respeito falar sobre suas experiências no gueto de Varsóvia e nos campos de morte nazistas. Questionada posteriormente sobre sua opinião sobre o conflito no Oriente Médio, minha mãe respondeu sucintamente: "Que crime cometeram os palestino senão nascer na Palestina?". É esta a realidade fundamental esquecida em todas as imagens fabricadas sobre o conflito israelense-palestino. O grande crime cometido pelos palestinos foi terem se recusado a cometer a auto-espoliação; não quiseram "escafeder-se" para dar lugar aos judeus. Talvez seja verdade que o código de ética comum da humanidade seja - pelo menos no momento - bastante rudimentar; mas este padrão rudimentar é suficiente para entender que o povo da Palestina foi vítima de uma injustiça colossal."
Normam G. Finkelstein, Imagem e realidade do conflito Israel-Palestina

30.9.09

Carmem Miranda está salvando a minha sanidade mental.

Blog da Yeda

Depois da Petrobras, da presidência da República e da dona Maria da banca de frutas criarem blogs é a vez da... Yeda! Sim, a desgovernadora Yeda Crusius agora tem um blog e um twitter em que renova sua relação como "pessoa, e pessoa pública, com o mundo aberto da rede". Atença para os comentários.
Ainda prefiro @yedacrusius.

29.9.09

Monografia time 3 1/2

* Nada melhor pra incentivar a leituras de livros e artigos acadêmicos do que se apaixonar por um calhamaço de 500 páginas viciante - e nada acadêmico.

* Nunca limpei um banheiro tão bem na vida. Uma hora esfregando o chão pode parecer maçante, mas causa menos culpra que uma hora de bobeira na internet.

Aos estudantes e curiosos em geral

Fiquei feliz da vida ao encontrar esse site da universidade portuguesa de Beira do Interior. Ele disponibiliza gratuitamente em pdf todos os livros produzidos pelo seu laboratório de comunicação, o que facilita pra pesquisa e pro bolso. As novas tecnologias aparecem disparado entre as publicações, mas também há estudos sobre a relação entre a comunicação e os movimentos sociais, por exemplo. A Ufrgs tem um site equivalente, o Limk, que traz os artigos produzidos pelos mestrandos, doutarandos e professores da Fabico (cavocando mais um pouco descobri o LUME, Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que também tem as teses e dissertações online). Outra universidade brasileira que disponibiliza as suas teses e dissertações pro povão é a USP, com a sua biblioteca digital. É o conhecimento acadêmico deixando de pegar pó nas prateleiras e migrando pra internet!

'Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada'

O André Dahmer é um dos melhores cartunistas/artistas brasileiros. Depois de tomar minha dose diária de Malvados, entrei no blog dele pra matar mais um pouco de tempo da monografia e dei de cara com esse texto. Dói de tão bom.

Monumento a um monolito


Idiota, Iberê Camargo

"Aos completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC."

28.9.09

"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo". Clarice Lispector

Me render ou não me render?

Vejam só, agora tem até twitter do RU da saúde.

25.9.09

Rápidas

Essa história da queda do desmatamento no Amazônia legal é muito bacana, dá a impressão que a consciência ambiental está indo pra frente e por aí vai. Mas por que ninguém escrever que da mesma forma que diminui o corte de árvores por lá aumentou o desmatamento no Mato Grosso e no Pará? Não tá na moda defender o pantanal?

*

Campanha eleitoral bombando nas páginas da Folha. Domingo foi dia de sabatinar a ministra Dilma Roussef, ontem publicaram a pesquisa do Ibope que dava maioria pro Serra e criaram um animosidade entre o Ciro Gomes e o governo. Hoje já vem o Ciro dizendo que a Dilma tem chance, pertinho de uma matéria em que ela aparece alfinetando o Serra. Acho que no fim quem vai ficar de boi de piranha vai ser a Marina Silva, disputada pela direita e pelo centro petista.

*“Cada vez más ciudadanos toman conciencia de esos nuevos peligros y se muestran muy sensibles respecto de las manipulaciones mediáticas, convencidos de que en nuestras sociedades hipermediatizadas, vivimos paradójicamente en estado de inseguridad informativa. La información prolifera, pero sin ninguna garantía de fiabilidad. Asistimos al triunfo del periodismo de especulación y de espectáculo, en detrimento del periodismo de información. La puesta en escena (el embalaje) predomina sobre la verificación de los hechos. Hubert Beuve-Méry, recordaba siempre: "Los hechos son sagrados, la opinión es libre"."
Ignacio Ramonet, Medios de comunicación en crisis, Le monde, janeiro de 2005

24.9.09

Guisado engana carnívoros

Porque nem tudo aqui é monografia e jornalismo. A gente também espera ansiosamente pela hora de encher a pança!
Morando com vegetarianos há um bom tempinho ainda não encontrei motivos fortes o suficientes pra dizer adeus de vez aos bifes - apesar deles não me fazerem muita falta-, mas como o que não mata, engorda, acabei aprendendo uma série de receitas vegans pacas e mega gostosas. Se a gente pensar bem, arroz, feijão, ovo e batata frita é um prato vegetariano!
Voltando a receita, estava eu a cata de algo para comer no meu belo armário universitário - nessa época do mês, principalmente, lembra um pouco os filmes de faroeste (só falta passarem aquelas bolas de grama rolando), quando encontrei um saquinho esquecido de proteína de soja desidratada. Sim, soja! O bom da proteína é que ela pode passar meses guardada que não estraga e basta um pouquinho de água pra ter uma janta. Olhei pra proteína, ela olhou pra mim e com mais um restinho de geladeira deu pra fazer uma refeição caprichada.

Usted vai precisar de:
Uns dois ou três punhados de proteína de soja (tem a graúda e a pequeninha, nesse caso usei a menor que lembra bem guisado);
Tudo que você tiver de legumes na geladeira (eu fui de cenoura, pimentão, tomate e milho. No caso de um mundo sem tomate, molho pronto resolve o problema (com muito menos classe, off course);
1 cebola média;
sal e temperos;

Pra começar, coloca a proteína de soja em um pote e cobre de água. É melhor fazer isso um tempo antes, pra ela fica bem cheinha, mas se não der 15 minutos resolvem. Enquanto a proteína vai desidratando tu pica a cenoura, o tomate, o pimentão e a cebola. Pega uma panela ou uma frigideira - eu uso a frigi, mas tem que ser grandona pra caber toda a comida -, manda ver um fio de óleo e coloca a cebola pra fritar. Quando a cebola estiver soltando aquele cheiro bom, acrescente os legumes. A ordem depende do gosto. Por exemplo, eu ponho o pimentão bem no começo, que daí ele amolece e perde aquele gostão de pimentão que faz a gente arrotar, e a cenoura pra pro fim, pra ficar firme. Tempera isso do jeito que der - sal, pimenta, manjericão, orégano - e espera refogar. Tem um tempero chamado tahime, que basicamente é molho de gergelim, que é O tempeiro nas casas vegetarianas. Se tiver, uma colher de sopa rasa dá pro gasto. Quando a coisa tiver bonita, coloca a proteína de soja previamente escorrida pra não virar sopa de proteína ao invés de guisado. É só mexer bem, deixar refogar mais um pouco, colocar o milho e voalá: guisado de soja com legumes. Saudável no último.
Como a fome foi mais rápida que a máquina fotográfica, vocês vão ter que imaginar a belezura do prato. Aqui em casa a galera se divide entre comedores de carne inveterados e vegetarianos e simpatizantes. Até os carnívoros lamberam os beiços.
Pra acompanhar, também dá uma olhada no estoque. Batatas cozidas ou arroz integral são as melhores pedidas.

Guten Appetit!

Mudaram as diretrizes do curso de jornalismo

Ironicamente, caiu a monografia e o jornalismo foi separado da comunicação. O curso foi dividido em vários eixos temáticos, na tentiva de conseguir a tão sonhada aliança entre teoria e prática. A proposta segue pro conselho nacional de educação e ainda não tem data de aprovação.

Ô, mãe. Eu quero ter quinze anos.

As novas diretrizes completas, acá.
A opinião
presidente da comissão, professor José Marques de Melo, acá.

Esse trechinho nem é o melhor do texto, apenas uma questã de momento histórico.

"O trabalho de Conclusão de Curso (TCC) deve ser entendido como um componente curricular obrigatório, a ser desenvolvido individualmente, realizado sob a supervisão docente e avaliado por uma banca examinadora formada por docentes e também por jornalistas profissionais convidados. Deve envolver a concepção, o planejamento e a execução de um Projeto Experimental constituído por um trabalho prático de cunho jornalístico, acompanhado necessariamente por relatório, memorial ou monografia que realize uma reflexão crítica sobre sua execução, de forma a reunir e consolidar a experiência do aluno com os diversos conteúdos estudados durante o curso."

* Muito obrigada a comunicativista Ana Lúcia pelos links.

23.9.09

Padrão de ocultamento

Estava relendo alguns posts do meu objeto de pesquisa, o excelente Biscoito Fino e a Massa, e meu sangue voltou a ferver de indignação. Pela cobertura porca da grande mídia, pelo absurdo de Gaza, pelo silêncio assassino em que estamos mergulhados.

Meu momento preferido aconteceu quando eu disse que jornalistas têm de ter lado, e que o lado dos jornalistas têm de ser o lado dos que mais sofrem. Se me mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, eu jamais daria destaque, no que escrevesse, à opinião do capitão do navio mercador de escravos. Se me mandassem cobrir a libertação num campo de concentração nazista, eu não entrevistaria o porta-voz da SS. Nesse ponto, um jornalista do Jewish Telegraph em Praga “argumentou” que “o exército israelense não é Hitler”. Claro que não. Eu não disse que é. Aqueles jornalistas, sim, é que temem que seja.

Por onde ando, sempre as mesmas velhas idéias sobre o Oriente médio, Robert Fisk, tradução de Caia Fittipaldi

22.9.09

Monografia times

Depois do (in)sucesso da pergunta "por que você bloga" a mono me deixou com mais uma pulga. Como definir um blog? O que me leva a seguinte questã: o que é um blog? Favor deixar respostas na caixa de comentários.

21.9.09

#Lávamosnósdenovo

Caçadora de citações

Livremente inspirada na Colcha de retalhos musical natuschiana e em homenagem as horas caçando citações pra embromar a monografia, segue uma lista de citações e trechos de livros mais ou menos sérios postadas em algum momento de um passado longíquo por ninguém mais ninguém menos que... moi, ora, bolas.

"tem horas na vida em que a gente não fica muito escolhendo caminho, nem escolhe, é escolhido. Vai apenas porque tem vontade de ir em frente, arriscar, ver o que acontece, só pra não se arrepender de não ter seguido. O que vêm depois, é conseqüência".
Ricardo Kotscho

"Eu vi a Rita Lee lambendo o microfone. Passei anos da minha vida com vontade de fazer isso e com medo de ser eletrocutada." Elis Regina

"(...)Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez, sem preparação. Como se o ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é esboço de nada, é um esboço sem quadro(...)"
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser

"O SUPEREGO é solúvel em álcool."
cartaz de uma festa da psicologia

"O diabo desta vida é que entre cem caminhos, temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove."
André Gide


"A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti

"A gente tem que ser feliz, a gente tem que viver o que a gente pode".
Sabia futura jornalista fodona

"... o que nos define não é o resultado de nossas eventuais inspirações, mas sim o acumúlo de nossas banalidades."
algum revista semanal da vida

"(...) a verdade é que chega-se sempre longe demais quando não se quer Ir Direto Aos Fatos, e o problema de Ir Direto Aos Fatos é que não há cir-cun-ló-quios então, e a maioria das vezes a graça reside justamente nesses Vazios Volteios Virtuosos, digamos assim: que não haja beleza nos fatos desde que se vá direto a eles? ou que não exista mistério, que seja insuportavelmente dispensável gostar dos tais circunlóquios. Ultrapasse-os, ordeno. Acontece que. Não, nada acontece."
Caio Fernando Abreu

"Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."
Fernando Pessoa, Tabacaria

"(...) existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver -e essa pauta cada um tem - mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar, e saber? Mas, esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e a cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa."
Riobaldo do Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

"O Sertão é sem fim; o Sertão está em toda parte; o Sertão tá dentro da gente".
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

" If your species will continue, clap your hands. "
Preguiça, Era do gelo 2
(mais alguém com problemas pra postar imagens no blogspot?)

20.9.09

La revolución de los blogs/ Por que blogar?

Rapidão, entre um artigo e outro. Palmas pra mim, a mono tá saindo aos poucos e eis que começo a achar a pesquisa interessante. o.O
No mar de autores que tenho lido, um me chamou atenção por definir o blog como um meio e não como gênero. Para Jose Luis Orihuela é indiferente definir se um blog é jornalístico, literário ou o diabo a quatro, a sacada é perceber as apropriações que as pessoas estão fazendo dele. E aí que tá a revolução!
Qualquer um, sem a necessidade de dominar conhecimentos de html ou qualquer outra tranqueira internética pode produzir e publicar conteúdo; esse conteúdo, por sua vez, entra numa roda de construção coletiva sendo ampliada a partir dos comentários e hiperlinks. Tudo isso xunto e reunido cria uma rede de conversação e difusão de informação, que se contrapõe a mídia tradicional e a obriga a se repensar e olhar para o público não mais como mero receptor mas parte integrante do processo.
Very, very cool.
Oká, de volta aos artigos.

P.S. O Orihuela também defende que os blogs só tem a força que tem porque as pessoas escrevem, basicamente, porque "ten la gana", o que me deixou curiosa. Aos amigos que tem blogs, o que levou vocês ao primeiro post?
Eu comecei o falecido Nada de muito interessante (o nome era um chiste com a Super interessante e ao mesmo tempo uma forma de baixar as expectativas de quem entrasse lá e me deixar mais desenibida de escrever) lá pelos idos de 2003, acho. Foi logo depois de ler um artigo na Veja (taquem as pedras) sobre o fenônemo das páginas pessoais. Lembro até que um dos exemplos de blog era o site de uma guria chamada Cecília que publica poesias sobre um fundo rosinha, algo impensável de ser citado numa revista como exemplo de blog hoje em dia. Enfim, eu comecei porque parecia legal.
E vocês?

Agora sim, de volta aos artigos. Afinal, é só um belo domingo de sol LÁ FORA.
"Um dia, confundiu-se, o poeta
Disse ao amante que cuidasse do amor
Que da poesia cuidaria ele próprio
Pateta."

Autor (des)conhecido